Pensando no amor


"...Acho que o amor tornou-se uma abstração... A alma tornou-se um
departamento do sexo, e o sexo tornou-se um departamento da política. Se a
nossa sociedade vai se recuperar, temos que recuperar a idéia de amor (...)
essa é a coisa mais importante. Se não encontrarmos isso, a vida será um
deserto".

Octavio Paz


  Escrito por Bloco às 17h09
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Alvin


Digo sempre que amigos são a principal coisa da vida. Nada merece mais comemoração do que o amigo. O amigo sobrevive aos casamentos, a vários casamentos. No casamento você jura amor eterno, mesmo sabendo que vai durar um ano ou dois. Na amizade você não precisa combinar nada. Rola. Na boa. Hoje e ontem fiquei ouvindo um disco de um amigo meu. Alvin L. O disco é bom e ele é melhor ainda. Um talento só. além de ser excelente companhia para qualquer programa e um dos raros cariocas que chegam na hora.

Hoje eu sei
Onde eu errei
se houver outra vez
quero ser Hemingway


ou então

Tudo o que eu posso te dar
é solidão com vista pro mar
ou outra coisa pra lembrar


É uma pena que esse disco não tenha chegado ao grande público. Tinha tudo para ser um sucesso mas, nessa época em que discos são vendidos em supermercado, o disco era um pouco chique demais.

Hoje minha gata foi ao veterinário e fez consulta e exame. tá com fungo. Vai ter que ficar passando pomada todo dia e tomando um banho por semana. O banho ela adora mas passar pomada.... se alguém se oferecer eu transfiro a tarefa agradecido.


  Escrito por Bloco às 13h41
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Noite feliz

Eu falei meio que sem querer, ou melhor, sem pensar mas fui sincero e essa é a única forma de responder a qualquer pergunta sem muito refletir. E gostei da resposta. A Adriane Galisteu me perguntava qual era a balada predileta e eu disse: os amigos. Qualquer coisa com amigos é ótima e qualquer coisa com gente chata é péssimo. E acabou que eu não pensei e gostei muito do resultado. Ontem fiquei até altas horas (perdão S. Groisman) na noite com um grande amigo que veio do Rio e queria conhecer um pouco da noite paulistana. bom, eu também não sou muito expert porque não saio muito para as tais baladas. O fato é que nos divertimos à beça e lá pelas 4 da manhã eu estava dando canja num barzinho ótimo da V. Olímpia em que o pessoal foi muito simpático com a gente. E a banda era ótima. Me diverti muito. Bom mesmo. E conheci gente muito legal. Logo eu que sou tímido pra caramba e sempre fico encabulado com gente desconhecida. Mas foi memorável.
Em geral um bom filme em casa é diversão certa. E ver ou falar com os amigos. Tenho bons amigos. Muitos deles no Rio e alguns andam vindo para cá a trabalho, o que melhora um pouco as coisas. sinto falta de duas coisas no Rio: amigos e Maracanã. confesso que não há experiência igual a um jogo no Maracanã. Nenhum estádio do mundo, nenhuma torcida do mundo é igual à do meu querido Mengão. Mas quebro o galho vendo na TV.
Ontem estive vendo uma coisa que achei bom de trazer para o microscópio. Não sei se você lembra mas microscópio é uma possível página do site em que eu analiso com um pouco mais de detalhamento algumas coisas que andam circulando por aí como, por exemplo, um certo comercial que já é meio antigo. SAbe aquele em que um casal anda no meio do mato e resolvem tirar fotos? Aí o cara desce naquela cachoeira de Mauá (RJ) e a namorada fotografa e depois aparecem duas fotos, uma do filme anunciado e outra com o filme comum? Para ajudar a lembrar: no final ela e a mãe do cara ficam vendo ele fazer merda com uma mangueira e a sogra pergunta para a nora se o pimpolho não vai crescer nunca. A nora com uma foz meio fraca, sem graça responde: tomara que não. Bom, agora não tem jeito de você não lembrar da porra do comercial. Pois é. Há uma grande mentira nesse anúncio que pode ser enquadrada no capítulo propaganda enganosa. Seguinte: a foto em que o cara aparece descendo a correnteza da cachoeira é a mesma para o filme do anúncio e o filme comum. Pois então alguém me explique: como é que duas câmeras com dois filmes diferentes estavam no mesmo lugar e hora e foram acionadas na mesma fração de segundo? ou uma câmera só tinha os dois filmes? Claro que a resposta é simples: a foto da cena não é nenhuma nem outra. Aquilo foi um filme que deu uma congelada. E aí mostraram um bom still dizendo que era do filme bom e depois desfocaram e disseram que era do filme comum. golpe baixo na concorrência e no público!!!
E quem se importa?


  Escrito por Bloco às 13h12
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Corrigindo:
O poema anterior ao ultimo post nao e da Clarice, embora seja otimo. Coisas da internet.

  Escrito por Bloco às 19h24
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Sexta feira gorda

A cidade ruge lá fora. os carros vão devagar para seus destinos. Uns para casa, outros para longe dela. A busca incessante da diversão ou do descanso. Horários comuns, demoras, a diversão é uma coisa que quase ninguém compreende. Os muito pobres se divertem com qualquer coisa. Os outros ficam observando o que os outros fazem para copiar os que eles admiram. Dançar como no clipe, vestir como na foto, gesticular como no rap, usar as gírias dos bandidos, dos surfistas, dos gays. SAber o que está em voga e se adaptar. Será que todo mundo fica feliz do mesmo jeito e na mesma hora? Será que diversão traz felicidade? Aparentemente todas as minhas questões têm resposta fácil. Tomara que seja assim, embora algo me diga que não é bem assim. O prazer consentido não é nada individual e, portanto, insatisfatório ou parcialmente satisfatório. será?
Essa semana, no que me diz respeito, pode ser resumida em dois pontos: dor de cabeça e telefonemas não retornados. Nenhuma ligação que eu fiz foi respondida. Nenhum recado que deixei surtiu efeito. Um mistério. Uma daquelas semanas em que estou invisível e mudo. E assim passa o tempo. Amanhã vou fazer biscoito de queijo, uma receita goiana, e depois tomar suco de melancia comendo biscoitos. Hoje vou ao teatro. Espero que a dor de cabeça passe até lá. Problema nas vistas. Já arranjei a solução mas ainda não ficou pronta. Lentes. vou ficar com olhos de lince. E tudo bem.

  Escrito por Bloco às 19h23
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POEMA

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

Clarice Lispector

OBS: Agora leia de baixo para cima
e viva a língua portuguesa e Clarice Lispector




  Escrito por Bloco às 13h51
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Recebi hoje e achei legal



COMENTÁRIOS DE UMA HOLANDESA SOBRE O BRASIL...
"Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil.
E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil.
Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos.
Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado.
Só existe uma companhia telefônica e (pasmem!) se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.

Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos - antes de comer.
Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e, com a mesma mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador.
Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim do Brasil podia ir pra lá dar aulas de "Como conquistar o Cliente".
Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo?
Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos.
Temos uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa.
Somos vitimas de vários crimes contra nossa pátria, crenças, cultura, língua, etc...
Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar nossas raízes culturais.
Os dados são da Antropos Consulting:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
4. Nas eleições de 2000 e de 2002, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção da maior das potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos, na eleição de Bush, teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
6. No Brasil, temos 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão na escola.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.
9. Na telefonia fixa, nosso país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre todcê reparou que eu estou falando na TV? Será que eu apareço na sua? (Câmera vai desfocando Eduardo) AlÔ? Tem alguém aí? Pronto, lá vou eu para o anonimato outra vez. Difícil é não deixar o fracasso me subir à cabeça.


ps - esse texto eu fiz para o Eduardo Martini apresentar ontem no programa da Adriane Galisteu.

  Escrito por Bloco às 15h12
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Recebi hoje e achei legal



COMENTÁRIOS DE UMA HOLANDESA SOBRE O BRASIL...
"Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil.
E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil.
Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos.
Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado.
Só existe uma companhia telefônica e (pasmem!) se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.

Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos - antes de comer.
Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e, com a mesma mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador.
Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim do Brasil podia ir pra lá dar aulas de "Como conquistar o Cliente".
Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo?
Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.
Por que temos esse vício de só falar mal do nosso Brasil?
1.Por que não nos orgulhamos em dizer que nosso mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?
2. Que temos o mais moderno sistema bancário do planeta?
3. Que nossas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?
4. Por que não falamos que somos o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
5. Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia do mundo?
6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
7. Por que não nos lembramos que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?
8. Por que não nos orgulhamos de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?
É! O Brasil é um país abençoado de fato.
Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.
Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques.
Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.
Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!
Divulgue esta mensagem. Com essa atitude, talvez não consigamos mudar o modo de pensar de cada brasileiro, mas ao ler estas palavras irá, pelo menos, por alguns momentos, refletir e se orgulhar de ser BRASILEIRO!


  Escrito por Bloco às 20h25
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Alô, pessoal!

Tudo bem? como vai a vida? Ontem fiz uma sopa de beterraba aqui em casa que ficou excelente e o melhor é que é muito simples. Se dez pessoas pedirem a receita eu dou. Ah, melhor indicar de onde tirei a receita: terra / culinária. Qualquer pessoa sem o menor talento culinário faz essa sopa em meia hora. É uma delícia. Um prato tradicional da Polônia. eu ia muito à Polonesa, no rio, para tomar essa sopinha. Antes tinha em outro restaurante, um norueguês, esqueci o nome, e o restaurante fechou ficando só uma opção na cidade para a tal sopa. eu adoro uma outra sopa tailandesa que tem no Mestiço aqui em S. Paulo. Muito boa. E deve ser fácil: chimeji, erva-doce, leite de coco, pimenta calabresa e frango. Booooaaaaa.
Observei que os últimos dias foram os de maior tráfego aqui no site, ou melhor, lá no site. O Bloco está hospedado em outro lugar. E isso me deixa muito contente por saber que muita gente ainda desconhece a existência de um site meu, oficial, e fica feliz quando descobre. Muita gente gosta de mim. Sem dúvida há mais gente que gosta do que gente que desgosta. E isso é uma vitória na vida.
A questão principal é: por que você não grava mais discos. Acho que vou fazer um FAQ no site. A resposta é: não sou convidado. Se me chamarem para gravar um disco amanhà eu saio correndo pro estúdio. E continuo compondo e fazendo shows. Perguntam também se eu prefiro escrever ou ser ator. Prefiro tudo e, principalmente, ter um trabalho estável e com renda garantida a qualquer aventura. Em geral, cariocas perguntam outra coisa: por que engordou. Respondo também, carinhosamente, embora não ache a preocupação com a minha estética tão generosa quanto a preocupação com minha carreira. Tento acreditar que estão se preocupando com a minha saúde e que Malhação não é a principal porta de entrada na TV Globo. Sim, engordei por ter problemas de saúde relacionados a isso. Não são tão graves os problemas mas são complexos e por isso não acho saudável ficar expondo-os. É muita coisa para explicar e duvido que os que se importam com isso queiram mesmo saber. Eles, como o Samuel rosa, querem mesmo é que eu vá para uma academia e tome vergonha na cara. E tudo bem. Aceito o argumento.
Há uma questão aí: beleza, assim como fortuna, é uma forma de poder. A beleza pode enfeitiçar uma pessoa, fazer com que ela tenha um domínio grande sobre as outras, mesmo desconhecidas. O dinheiro também deslumbra muita gente. Em geral o senso comum estabelece que homens ficam bestas diante de uma mulher bonita e mulheres ficam seduzidas por um milionário atencioso, Eu acho perfeitamente normal que o inverso também aconteça. São as fraquezas humanas. Ancestrais.
Homens querem ser admirados. Mulheres querem ser necessárias. É mais confortável do que ser amado. Amar é uma coisa que você tem controle. Ser amado não. O descontrole é o grande pânico de nossas vidas. Parece que só estamos vivos porque temos controle sobre as situações e sentimentos. Como se o Isabel deixasse de passar só por estarmos olhando para o céu. E o descontrole acaba, no final, por ser a grande libertação. Na hora do orgasmo, por exemplo, ou quando alguém vai à terapia e perde o controle, revelando sentimentos e emoções sem nenhum pudor. São duas possibilidades equivalentes. Resta saber qual escolha fazemos: viver o prazer do descontrole ou o alívio. Drogas e outros paliativos parecem ser um caminha mais curto para esse estado. engano. São um paliativo, um simulacro. Amar e ser amado, em profundidade, é a coisa mais poderosa que pode acontecer a uma alma, a uma mente, a um indivíduo. E que isso seja fácil e fértil para o bem de todos. E que a generosidade de ser amado, de permitir o amor do outro, seja simples e comum. mas, por que é que estou falando nisso? Nunca sei. Nunca sei porque escrevo. Se não me preparo antes nem sei o que escrevo. Mas se alguém chegou até aqui, obrigado! Essas palavras já tiveram sua razão de ser.
Bom domingo aos velhos e novos amigos.

  Escrito por Bloco às 15h29
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O Final da entrevista....
8. Eu ainda queria aproveitar uma outra faceta de seu trabalho como ator, que tem sido o cinema: você atuou tanto em As sete vampiras, de Ivan Cardoso, como em Rock estrela, de Lael Rodrigues (que eu me lembre, assim, de improviso). O cinema é outra experiência, diferente da encenação de um intérprete cantando a música, do ator em novela de TV, ou do ator em teatro. Esta última, no meu entender, seria a mais completa, pois além da relação "corpo-a-corpo" com o público, existe a vivência plena da situação. Mas vários atores de teatro gostam de fazer cinema. E você?


Léo Jaime: Cinema é uma coisa especial. Não há, nas mãos do ator, a linha da história. Há que haver a entrega e há, sobretudo, que se prezar o minimalismo. O cinema é mais espetacular que o teatro. Nossa figura fica gigantesca no escuro do cinema. E qualquer coisa é possível no cinema. Tudo mesmo. Realmente é muito gostoso fazer cinema pelas razões opostas das que é bom fazer teatro. O cinema é o instante eternizado em 24 fotogramas por segundo. Há uma outra temporalidade. O barulho da câmera ligada é um fetiche. ZZZZZZZZZZZZZZZZ. E o jogo é com aquilo ali. Com a lente. A história entra por ali. É com ela que você fala. Tudo em volta é mentira e ninguém está vendo porque o câmera só mostra o que é do sonho. Pode ser uma bobagem dizer isso, mas, às vezes, se o plano é fechado, a gente só veste a personagem da cintura pra cima e é curioso estar assim vivendo uma história pela metade, literalmente. Há que se saber jogar com aquele retângulo e principalmente se deixar dirigir. A entrega e o despudor precisam estar aliados à prudência e comedimento. É uma linguagem que nos possibilita o eterno. O teatro é fugaz.


9. Eu vou arriscar, aqui, uma pergunta, aproveitando a deliciosa irreverência que sempre pontuou a sua criação: você se considera um "antropófago", no sentido dado por Oswald de Andrade? Ou você prefere ser nomeado de "inclassificável"?


Léo Jaime: Operário é um termo bastante apropriado, mas não o uso por causa do tom "politizado" que o termo ganhou durante a ditadura. "Antropófago" é, evidente, uma excelente classificação. "Inclassificável", melhor ainda. O Brasil precisa aprender a distinguir o que é desclassificado do que é inclassificável. Sigo o Chacrinha: nós viemos para confundir e não para explicar. Mesmo sabendo que o óbvio também é filho de Deus. Vai ver eu sou, como a minha vida, uma obra em andamento.


10. Bem, Léo, uma última palavra...


Léo Jaime: Bem, Gilda, como vês, não tenho muito a acrescentar: tudo é muito difícil para mim e duvido que tenha uma boa compreensão sobre tudo o que faço. Sou, como a maior parte das pessoas e coisas, mais ou menos. Mas acho que a exposição desses pensamentos, ainda que com sua incompletude, pode servir de algo a quem, como nós, é fascinado pela palavra.




Leia mais sobre Léo Jaime:


SITE OFICIAL: http://www.leojaime.com.br
http://www.leojaime.hpg.ig.com.br/index.htm


Ou leia outras entrevistas concedidas por Léo Jaime:
<ém limpinho.
Dia desses fiquei com o Rubens, um cara que sabe e lembra de tudo quanto é música, tocando na casa de uma amiga nossa, até altas horas. Fazia tempo que eu não me divertia com um violão nas mãos. e confirmei a lenda: sou mesmo um fracasso em rodinhas de violão. além de roco esqueço todas as letras e músicas. É a timidez. Só mesmo no palco e com muito ensaio, além dos óculos escuros. Ai, ai. Quanto mais velho eu fico mais a coisa piora!!!!



  Escrito por Bloco às 14h33
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Sobre a entrevista


Ela pode ser lida na integra aqui....
http://www.estacio.br/rededeletras/numero2/letras_mundo/entrevista.asp

  Escrito por Bloco às 13h10
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O Final da entrevista....
8. Eu ainda queria aproveitar uma outra faceta de seu trabalho como ator, que tem sido o cinema: você atuou tanto em As sete vampiras, de Ivan Cardoso, como em Rock estrela, de Lael Rodrigues (que eu me lembre, assim, de improviso). O cinema é outra experiência, diferente da encenação de um intérprete cantando a música, do ator em novela de TV, ou do ator em teatro. Esta última, no meu entender, seria a mais completa, pois além da relação "corpo-a-corpo" com o público, existe a vivência plena da situação. Mas vários atores de teatro gostam de fazer cinema. E você?


Léo Jaime: Cinema é uma coisa especial. Não há, nas mãos do ator, a linha da história. Há que haver a entrega e há, sobretudo, que se prezar o minimalismo. O cinema é mais espetacular que o teatro. Nossa figura fica gigantesca no escuro do cinema. E qualquer coisa é possível no cinema. Tudo mesmo. Realmente é muito gostoso fazer cinema pelas razões opostas das que é bom fazer teatro. O cinema é o instante eternizado em 24 fotogramas por segundo. Há uma outra temporalidade. O barulho da câmera ligada é um fetiche. ZZZZZZZZZZZZZZZZ. E o jogo é com aquilo ali. Com a lente. A história entra por ali. É com ela que você fala. Tudo em volta é mentira e ninguém está vendo porque o câmera só mostra o que é do sonho. Pode ser uma bobagem dizer isso, mas, às vezes, se o plano é fechado, a gente só veste a personagem da cintura pra cima e é curioso estar assim vivendo uma história pela metade, literalmente. Há que se saber jogar com aquele retângulo e principalmente se deixar dirigir. A entrega e o despudor precisam estar aliados à prudência e comedimento. É uma linguagem que nos possibilita o eterno. O teatro é fugaz.


9. Eu vou arriscar, aqui, uma pergunta, aproveitando a deliciosa irreverência que sempre pontuou a sua criação: você se considera um "antropófago", no sentido dado por Oswald de Andrade? Ou você prefere ser nomeado de "inclassificável"?


Léo Jaime: Operário é um termo bastante apropriado, mas não o uso por causa do tom "politizado" que o termo ganhou durante a ditadura. "Antropófago" é, evidente, uma excelente classificação. "Inclassificável", melhor ainda. O Brasil precisa aprender a distinguir o que é desclassificado do que é inclassificável. Sigo o Chacrinha: nós viemos para confundir e não para explicar. Mesmo sabendo que o óbvio também é filho de Deus. Vai ver eu sou, como a minha vida, uma obra em andamento.


10. Bem, Léo, uma última palavra...


Léo Jaime: Bem, Gilda, como vês, não tenho muito a acrescentar: tudo é muito difícil para mim e duvido que tenha uma boa compreensão sobre tudo o que faço. Sou, como a maior parte das pessoas e coisas, mais ou menos. Mas acho que a exposição desses pensamentos, ainda que com sua incompletude, pode servir de algo a quem, como nós, é fascinado pela palavra.




Leia mais sobre Léo Jaime:


SITE OFICIAL: http://www.leojaime.com.br
http://www.leojaime.hpg.ig.com.br/index.htm


Ou leia outras entrevistas concedidas por Léo Jaime:


http://www.mvhp.com.br/ljaimeentrevista.htm
http://www.songweb.com.br/conteudo/entrevista_leojaime.asp
http://chat4.terra.com.br:9781/leojaime.htm
http://www.tammyluciano.com.br/papoleojaime.htm
http://www.abureta.hpg.ig.com.br/leo.html
http://www.geocities.com/SoHo/Lofts/1418/leojaime.htm



  Escrito por Bloco às 13h10
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Professora Gilda


A melhor parte de fazer uma faculdade e ter contatos com os mestres. Aprender. As notas, as amizades, a abertura profissional, tudo e importante e, no entanto, o mestre e quem pode tornar tudo muito mais bonito e aproveitavel. Tive essa professora magnifica na faculdade e recentemente ela f4z a entrevista abaixo pela internet. O nome da mestra e Gilda Dieguez e a ela sou muito grato. Inclusive pela entrevista.

  Escrito por Bloco às 01h09
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E
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EDIÇÃO 2 5 de setembro de 2003

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ENTREVISTA: LÉO JAIME





Léo Jaime dispensa muitas apresentações: é figura conhecida na mídia, dada a sua vertiginosa carreira musical, iniciada nos anos 80. Desde então, ele é lembrado como "rockeiro", com seu estilo bem-humorado, porém muito poucos conhecem suas múltiplas facetas: além de músico, tem uma carreira consolidada no jornalismo, escreve para a tevê e teatro, atua, canta, dança, faz trilhas musicais. É exatamente o "outro" Léo que buscamos explorar nesta entrevista. Num diálogo franco, inteligente e autêntico, ele conversa sobre temas pouco trabalhados, sem contudo perder a vivacidade de raciocínio. Portanto, vamos a ela:


1. Acompanhando a sua trajetória recente, pode-se perceber que o teatro tem atraído as suas atenções. Pelo menos, de três peças você participou: "Vitor ou Vitória", "Terceiras Intenções" e, agora, os "Monólogos". A dramaturgia responderia ao seu olhar múltiplo sobre o mundo, no sentido de experimentar várias situações, como tem sido a sua vida?


Léo Jaime: Gilda, minha vida tem sido a de um operário da cultura; não realizo nada sozinho ou seguindo metas particulares, atuo em projetos coletivos ou sob a égide de algum produtor. E, no entanto, tenho atuado mais no teatro e posso explicar o porquê. Há, ainda, um quê de "feito à mão", no mundo teatral, quando tudo o mais está inserido em um espetacular esquema industrial. Discos, programas de TV, filmes, tudo tem uma obrigação de eficácia e de resultado financeiro em escala industrial e, por isso, as ousadias são quase que indesejáveis. Discos são vendidos em supermercado, atualmente, e isso faz com que uma marca de artista tenha que ser trabalhada como qualquer outra marca, de sabão, palha de aço, etc. Andei fazendo, no teatro, desde Vítor ou Vitória, o espetáculo mais visto no ano, e de Cócegas, o segundo mais visto (eu só fiz a música título, mas participei dos ensaios, colaborei nos offs, até como ator), em várias funções. Fiz a música do espetáculo A Filha da..., texto premiado como o melhor do ano no concurso promovido pelo Jornal O Globo e encenada com Marília Pêra encabeçando o elenco. Escrevi parte do texto de Na Medida do Possível, que está, atualmente, cumprindo temporada de muito sucesso em São Paulo, encenado por Eduardo Martini. E fiz, também como ator, Terceiras Intenções, texto traduzido e adaptado por Juca de Oliveira e dirigido por Bibi Ferreira. Além disso, atuei também em um curta a ser lançado no segundo semestre, de ficção, dirigido por Luis Tripolli, e fiz também participações em um sitcom do SBT, Meu Cunhado, contracenando com Ronald Golias. Minha vida está mais voltada para o teatro, e agora acho que cabe explicar, porque é no teatro que se discute estética, por ser um meio de expressão que exige a presença do ator e espectador em um mesmo ambiente, por ter essa limitação e, por isso, dificilmente industrializável. O foro de discussão estética costumava ser a música popular e por isso gente que escreve ou escrevia, como Cazuza, Renato Russo e eu, muito modestos em habilidades musicais, nos voltamos para a expressão musical, nos início dos anos 80. Agora, já não mais ocorre nenhum embate de idéias, ou nenhuma corrente com a qual se possa dialogar está disponível. Há a indústria e há o que vende. Mas há uma evidente falência nessa ordem e pode ser que as coisas virem em breve.


2. Pelo que sei, você deixou Goiânia com a peça Os Saltibancos e veio para o Rio de Janeiro. Depois, em 1988, você estreou como ator de telenovelas, ao interpretar o ladrão Zezinho em Bebê a Bordo. Agora vai para São Paulo e faz teatro. Você diria que o teatro é um retorno às origens? Ou essa vocação sempre ficou adormecida pela música e agora aflora com maior vigor?


Léo Jaime: Nunca quis determinar limites ou preferências. A expressão pode se dar em qualquer veículo com um mínimo de estudo e dedicação em absorver as técnicas e o domínio da linguagem. Vim parar no Rio fazendo a excursão de Saltimbancos. Aqui fiquei, ao invés de ir para São Paulo trabalhar com o Zé Celso Martinez, por ter sido chamado às pressas para substituir um ator / bailarino da companhia de Klaus e Angel Vianna, num espetáculo que o José Possi dirigia. Acabei ficando na companhia do Klaus e me dedicando à dança e ao gestual por alguns anos. Dava aulas de violão, era bailarino, cantava em bandas de garagem e fazia ponta em filmes, mas o tempo todo sabia que o que eu escrevia era mais importante do que a forma com a qual eu me expressava cenicamente. Isso era e é o que faz a diferença. Mas adoro o palco. Tanto faz se é para cantar ou para atuar. Em verdade, e é bom dizer isso, prefiro atuar. Cantar é melhor em estúdio. O teatro é um jogo muito perigoso e divertido. É mágico quando o jogo com o outro ator ou os outros atores se dá com entrega e concentração total. Com Marília Pêra, evidente, dividindo o palco por duas horas, durante um ano, esse jogo era cada dia de um jeito e sempre muito instigante e apaixonante. Aprendi muito e curti muito. Acredito que eu seja um ator / jornalista que toca nas horas vagas. Ainda que eu seja conhecido mais por causa da carreira musical, cada vez mais, ela se apequena diante de minhas outras realizações profissionais. A música tem sido ingrata comigo. O teatro, não: é sempre generoso.


3. Sabendo de sua leitura em torno da obra de Nelson Rodrigues, até que ponto haveria uma influência, ou uma afinidade entre você e ele, a partir do momento em que ele era dramaturgo e também jornalista?


Léo Jaime: Vejo essa confluência em vários ídolos. Ari Barroso era poeta, músico e radialista, ou melhor, jornalista esportivo. Jô Soares é humorista, comediante e jornalista, se é que entrevistar cabe mais em outra atividade que nessa. Nélson é ídolo por muitas razões: porque seu texto estava sempre veiculado no jornal e tinha a obrigação de surpreender e ser acessível. Seu ponto de vista era original e nunca dogmático. Era um mestre em desconstruir e um gaiato, por excelência. Estava para o leitor como o cidadão que na padaria comenta o noticiário enquanto mergulha o pão no pingado. Fazia um alarido enorme em sua crônica esportiva. Era capaz de ver deuses em duelos definitivos assistindo um Bangu e Olaria. Tornava tudo magnífico e maravilhoso. Assim fica mais bonito de ver o esporte e, creia, o esporte acaba ficando mais bonito e artístico só para merecer o comentário grandioso e poético. Esse é o futebol arte, o que nossos autores criaram em páginas de jornal e que os atletas se viraram para tornar verdade. Nélson tem a habilidade do adjetivo. E adjetiva tão bem quanto Machado de Assis pontua. E o adjetivo é o essencial da crônica, da crítica, do olhar crítico. Outra coisa: a habilidade em formar um estilo, segundo Nélson, se dá pela repetição. Para qualquer um que escreva isso é uma libertação. Estilo é igual a repetição. Assim como Shakespeare nos livrou do fantasma da originalidade, Nélson nos livra do fantasma da repetição. E eu sou um fanático por frases. Esse é o meu fetiche. Oscar Wilde e Nélson são gênios nessa arte. A frase tem por excelência a síntese e o impacto da idéia. É um jogo delicioso.


4. Parece haver uma grande diferença, em termos de escrita, entre ser jornalista, compositor e dramaturgo. Mas também há elementos em comum. Você poderia nos falar um pouco sobre a sua experiência no trato com a linguagem?


Léo Jaime: Tenho um grande amigo dramaturgo, Marcelo Rubens Paiva. Ele faz textos para a Folha, é jornalista, faz crônicas para revistas e escreve romances. Um dia lamentei com ele a minha inaptidão para textos longos. Ele disse que qualquer coisa poderia virar um livro. Até mesmo aquela nossa conversa poderia render um romance. Isso fez com que eu me tranqüilizasse para escrever o monólogo sobre o homem solteiro de 40 anos e seus problemas. Atuar em filme é diferente de teatro e diferente de televisão. Faço os três e digo que a diferença é a mesma entre dirigir carro e moto ou andar de bicicleta. Uma vez que você sabe fazer um, fica fácil aprender o outro. Fiz alguns roteiros para teatro, fui redator de televisão em programas humorísticos e de entrevistas ou musicais. Há muito em comum. E há os truques ou necessidades de cada veículo. Na TV, você não tem muito tempo para envolver o espectador, tem que ser tudo muito claro e o tempo é precioso. No teatro, é mais confortável, não precisa ter uma piada por frase, pode ser engraçado sem ser uma gargalhada atrás da outra, porque você tem tempo para criar uma certa cumplicidade com a platéia. Confesso que há muito de pragmatismo em tudo isso. E um pouco de "o que, como, quando, onde e por quê?". O jornalismo, se não é opinativo, é mais fácil. Encha de informações e seja objetivo, sem se alongar. No texto reflexivo, artístico, é preciso trapacear a língua, como diria o nosso Barthes. É preciso ir um pouco além, é preciso ter ruído, é preciso dançar sobre os sentidos euas horas, durante um ano, esse jogo era cada dia de um jeito e sempre muito instigante e apaixonante. Aprendi muito e curti muito. Acredito que eu seja um ator / jornalista que toca nas horas vagas. Ainda que eu seja conhecido mais por causa da carreira musical, cada vez mais, ela se apequena diante de minhas outras realizações profissionais. A música tem sido ingrata comigo. O teatro, não: é sempre generoso.


3. Sabendo de sua leitura em torno da obra de Nelson Rodrigues, até que ponto haveria uma influência, ou uma afinidade entre você e ele, a partir do momento em que ele era dramaturgo e também jornalista?


Léo Jaime: Vejo essa confluência em vários ídolos. Ari Barroso era poeta, músico e radialista, ou melhor, jornalista esportivo. Jô Soares é humorista, comediante e jornalista, se é que entrevistar cabe mais em outra atividade que nessa. Nélson é ídolo por muitas razões: porque seu texto estava sempre veiculado no jornal e tinha a obrigação de surpreender e ser acessível. Seu ponto de vista era original e nunca dogmático. Era um mestre em desconstruir e um gaiato, por excelência. Estava para o leitor como o cidadão que na padaria comenta o noticiário enquanto mergulha o pão no pingado. Fazia um alarido enorme em sua crônica esportiva. Era capaz de ver deuses em duelos definitivos assistindo um Bangu e Olaria. Tornava tudo magnífico e maravilhoso. Assim fica mais bonito de ver o esporte e, creia, o esporte acaba ficando mais bonito e artístico só para merecer o comentário grandioso e poético. Esse é o futebol arte, o que nossos autores criaram em páginas de jornal e que os atletas se viraram para tornar verdade. Nélson tem a habilidade do adjetivo. E adjetiva tão bem quanto Machado de Assis pontua. E o adjetivo é o essencial da crônica, da crítica, do olhar crítico. Outra coisa: a habilidade em formar um estilo, segundo Nélson, se dá pela repetição. Para qualquer um que escreva isso é uma libertação. Estilo é igual a repetição. Assim como Shakespeare nos livrou do fantasma da originalida deixar muitas lacunas abertas. E nunca compreendemos totalmente um texto, mesmo que a gente o escreva. Esse domínio total é uma insegurança que aos poucos vai sumindo. Sempre há milhares de interpretações. E a interatividade do texto, no teatro, por exemplo, pode ser muito educativa.


5. Eu queria voltar a uma questão que você coloca lá no início da entrevista: o "atuar em projetos coletivos" e a idéia de um projeto estético, que se coloca fora da música, hoje em dia. Concordo com a sua leitura e percebo que você se mantém fiel ao momento vivido nos anos 80. Então, falando um pouco em termos geracionais ¿ embora este seja um conceito discutível: a garotada que construiu o pop-rock dos anos 80 (e da qual você foi parte integrante) foi uma geração que se fragmentou, ou foi fragmentada. A que fatores você atribui esse processo de dilaceração?


Léo Jaime: É curioso e necessário refletir sobre essa questão agora. Os documentos estão saindo. Percebemos que a história estacionou ali. E, se não estacionou, pelo menos começou a andar em círculo. Naquele momento, havia um panorama muito opressor; de um lado a ditadura e o abismo cultural criado pelas reservas de mercado e, de outro, a esquerda patrulhando toda a produção estética e de informação fazendo com que toda expressão acabasse, mesmo sem querer, tendo uma função política maior que estética. Recordo de coisas absurdas, como um filme, se não me engano espanhol, chamado "Actas de Marúsia", ou coisa assim. Durante muitos anos, esse era para mim o retrato da desgraça artística rendida por um salvo conduto panfletário e empurrada pela goela de intelectuais, os únicos que assistiam, como obra de arte. O filme era horroroso. Coisas lindas como Stevie Wonder, nos anos 70, eram vistas como reacionárias ou inúteis, uma vez que não eram panfletárias. Não quero me alongar sobre isso. O fato é que havia naquela época uma juventude urbana sem voz. Não havia música boa pra dançar. Não havia na estética desse País a figura do jovem urbano e suas questões. Havia a esquerda catequizando e a direita reprimindo. Nós éramos detestados pelas duas correntes. MDB e ARENA, os exemplos políticos de como era dividido aquele mundo maniqueísta, nos achavam indesejáveis. E éramos uma legião. Nas artes plásticas, na música, no teatro, na TV, na literatura (ainda que em menor expressão mas os livrinhos de mimeógrafo eram um escape ao mundo sisudo da literatura nacional), em todas as áreas. Era um zeitgeist libertário e sem as camisas de força impostas pela direita, que dominava os jornais e meios de expressão.
Uma vez, ao fim de uma de nossas peladas, conversei com o Chico Buarque sobre esse assunto. Dizia a ele, um grande ídolo para mim, que a geração dele tinha estabelecido um tal padrão de qualidade que ninguém mais conseguia alcançar. Perdoe se demoro para entrar na questão que você mencionou, mas foi o Chico quem deu a resposta. Dizia ele que a sua geração não tinha nenhuma cobrança na hora de escrever ou criar (sem mencionar a patrulha que foi uma coisa horrorosa até pra ele) e que gravar um disco era uma coisa simples, sem necessidade de tocar em rádio ou vender muito. Se o cara da gravadora achava que você tinha talento ele gravava um disco. E ainda assim, sem essas cobranças, não eram muitos os caras que faziam um trabalho genial. Cinco ou seis, segundo Chico. E na nossa geração, continuava, havia uma cobrança enorme de eficácia, havia o cara da gravadora pedindo shows de playback no subúrbio de graça, shows para rádios, também de graça, gravação de vídeo-clipes, uma enormidade de aparições na TV. Tínhamos uma enorme agenda com a indústria cultural que se firmava com a nossa ajuda e tínhamos também uma desconfiança e desdém por parte de toda a cl

  Escrito por Bloco às 01h06
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Motivos para ser feliz

Felicidade não é o resultado de condições favoráveis.
Felicidade vem da maneira com que você reage diante das
dificuldades da vida. Há pessoas que têm toda razão para
estarem miseravelmente tristes, mas ainda assim vivem
com felicidade e prazer.

A todos instantes você é desafiado a vencer obstáculos.
Diversas vezes na sua vida pessoas importantes o
desapontaram.
Mesmo assim você deve sorrir e vencer.




ps- me mandaram isso por email. Nao sei quem e o autor.

  Escrito por Bloco às 14h29
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Deu pau



o meu último post não foi publicado. E o pior é que não guardei o rascunho. eu contava que iria ao sabadaço e agora a notícia é velha. foi bem legal. voltei ao rio para o resto da semana e aqui só chove. A cidade não é boa pra chuva. Não combina. Mas ficar em casa vendo tv é bom à beça nestes dias. fico vendo o discovery, o sony, o warner, filmes, esportes, zaping, zaping. E aquela preguiça deliciosa. ai, ai.

  Escrito por Bloco às 04h32
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Ainda no Rio


Aproveitei a temporada aqui para por as coisas em dia na faculdade. preciso entregar a monografia para receber o diploma. E também aproveitei a visita para rever os amigos da faculdade. Deu saudade. Estudar é bom em todos os sentidos. Melhora a cabeça e a vida profissional mas há também um ganho afetivo. É bacana.
Fui fazer exame de vista para melhorar os óculos e não gostei. Um olho piorou muito. Fazer o quê?
Tenho tido pouco tempo apra escrever. Mas tem sido bom. Vi muitos amigos e ainda ficou faltando ver um monte. E é bom perceber que são muitos os amigos importantes. E é por isso que eu tenho escrito pouco.
Neste sábado vou pintar na tela da band. No programa do Leão, à tarde.

  Escrito por Bloco às 00h07
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Leoni no auge


Vim ao rio para participar do show do Leoni e foi um grande sucesso. O Canecão foi arrebatado pelas canções e o belo show do meu compadre. fiquei muito feliz em ter participado. Estranho foi encontrar o Herbert e ele não se lembrar de mim. Eu nunca tinha encontrado com ele desde o acidente. Aos poucos acho que ele vai lembrando. Mas o show foi ótimo e a participação dele um arraso. Muito bom.
Depois fui a uma festa e todas as pessoas que encontrava ou passavam a mão na minha barriga ou comentavam o assunto. Ter um corpão é, quase sempre, a única coisa que importa. Parece que o Rio virou uma grande academia de ginástica e ser sexy um meio de vida. Esquisito mesmo. Mas no Canecão fui muito bem recebido e o povo aplaudiu muito. fico feliz em ser bem recebido na minha cidade do coração. O povo do rio é muito solidário e bacana. Pena que não é o povo de verdade que está pintando nas paradas por aqui. O povo do corpão é que domina. E os intelectuais e cariocas tradicionais são figurantes. Mas isso vai passar. Claro. HAverá um dia em que sambar de perna aberta voltará a ser vulgar.

  Escrito por Bloco às 03h36
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Viajando

Fui no final de semana para curitiba. Participei de um show beneficente para a sociedade do Pequeno Cotolengo. Essa é uma belíssima obra de caridade que atende mais de 200 crianças especiais, que foram abandonadas pelos pais. E o Padre Pedro é uma figura agradabilíssima. foi muito bom ficar batendo papo com ele e toda a turma de lá. Pessoal muito simples e muito bom.
Voltei para casa e amanhã já vou para o Rio. Vou dar uma canja no show de lançamento do disco do Leoni. Vou ver meus afilhados e amigos. vai ser muito bom ficar uns dias lá, indo à praia e também fazendo algumas coisas que tenho que fazer.
Fui ver um filme muito bom. A Secretaria. Fala sobre a dificuldade de expressão de desejo de um casal que tem muitas afinidades em coisas tidas como estranhas. Acho que os heterossexuais são. em geral, mais reprimidos que os gays. Esse filme mostra a dificuldade de aceitação, até por si mesmo, de um sadomasoquista. Vale a pena ver porque é muito leve e divertido. E a atriz é espetacular. Brilhante mesmo. Dá gosto de ver.
Vamos ver se na semana que vem retomo a assiduidade neste bloco. Ah, fui citado em uma das crônicas do Joaquim Ferreira do Santos incluida no livro ¿O que as mulheres procuram na bolsa¿, ou algo assim. O livro acabou de ser lançado e imagio que seja muito bom. Como tudo o que ele escreve.


  Escrito por Bloco às 02h06
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O mundo inteiro ama os amantes


Estava agora ouvindo o Prefab Sprout. O primeiro disco deles que eu ganhei foi do Renato Russo. ele chegou em casa com o disco na mão, uma noite, dizendo: Isso é o que eu penso que tem a ver com você. Ele me dava aquilo como quem aponta um rumo para um amigo aparentemente perdido. Uma solução madura para um humor acre-doce e com um sabor ainda pop e juvenil. Nesta época eu costumava dizer que era muito velho para o rock¿n¿roll e muito novo para a MPB. Talvez eu continue assim ainda.
Dia desses me deu vontade de juntar o meu repertório de rock¿n¿roll e fazer um show bem básico; duas guitarras, baixo, bateria. O Sérgio Serra ficou empolgadão e disse que queria montar essa banda. eu disse pra ele montar e me chamar no dia de cantar. No dia seguinte eu voltava à velha idéia de gravar um disco só de standards. Como Elvis Costello, George Michael, Brian Ferry, Rod Stewart e um monte de gente já fez. Ia ser bom. Um disco como aqueles do Renato fora da Legião.
Resta saber o porquê de as gravadoras não se empolgarem com a idéia de gravar um disco comigo. E eu não tenho saúde e nem idade para ficar oferecendo meus préstimos. Lá no Sesc Itaquera o povo cantava A vida não presta como se ela tocasse no rádio todo dia. E já faz quase vinte anos! Nunca ninguém regravou!!!!
Estou tratando da saúde. Tô ficando bom de um monte de coisa que andava mal porque eu estava dormindo mal. E não descansava nada. Tô começando a descansar.
Não tenho respondido emails dos queridos leitores deste bloco de notas que mandam mensagens quase sempre adoráveis. Adoráveis não é uma palavra muito masculina, eu sei, mas eu uso mesmo assim. E digo fazer xixi ainda que amigos digam que é mijar que homem deve falar. Bom, deixa pra lá. O que é que eu estava dizendo? Ah, os emails. Depois eu respondo. Prefiro aproveitar o pouco tempo que sobra para escrever aqui, a todos.
Sábado vou passar a tarde no Programa do Raul Gil. E vai ser uma excelente tarde.


  Escrito por Bloco às 12h49
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