Nada de novo


Não tenho vindo muito aqui por não ter nada para contar. tá bom, fiz um show no Sesc de Itaquera que foi muito caloroso. E precisava: a temperatura lá estava por volta dos 3 graus. O Sérgio Serra me acompanhou e, como sempre, tocou muito bem.
Fui assistir ao filme Regras da atração e não compreendi o título. como cinema é bacana, como literatura, o livro que deu origem não é muito o meu estilo. Aquela coisa catastrofista de gente que cheira pó e fica cínica achando que tudo no mundo é uma merda. E assim se iguala ao todo sem culpa. Pois é. Nada de muito palpitante para contar.

  Escrito por Bloco às 23h31
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Todo mundo quer ser outra pessoa.


Não importa quem, todo mundo está insatisfeito. Escrevo lentamente estas palavras para me certificar do que digo; a sentença parece ampla e, por demais, cruel. Vivemos neste país sem grandes transtornos naturais e com essa marca de miscigenação que, aos olhos do mundo, faz do brasileiro um povo bonito. Pode ser o nosso narcisismo, ou o narcisismo às avessas, que cria o mito de que somos um povo quente, sensual. Sabe como é, cão que ladra não morde. E, ainda assim, todos nós queremos, lá no fundo, ou mesmo na totalidade de nossa superfície, ser outra pessoa. A esta altura você só não viou a página porque quer saber em que se baseia essa absurda afirmaçao. E eu chego lá. Pule para o próximo parágrafo e tudo ficará mais claro.
Obrigado. Como você vê, até mesmo o autor não está hasteando sua auto-estima no topo do monte. Temos uma péssima imagem de nós mesmos, querido leitor. E é isso o que nos impulsiona a mentir deslavadamente sobre nossa sensualidade, beleza etc. Não que isso seja uma mentira. Só não nos sentimos assim. Veja os exemplos: você sai na rua e vê todas as mulheres de salto alto. Isso não lhe diz nada? Para mim estão todas dizendo que queriam ser um pouco mais altas. Olha que eu nunca vi um homem reclamar da pouca altura de uma mulher. Ao contrário: as baixinhas são, em geral, as preferidas. Você olha o cabelo da mulherada na rua e pode constatar: a maioria muda a cor. Não é nenhuma profecia dizer que toda mulher brasileira será loura um dia. Nem que seja por um dia. Pra vencer a curiosidade e atender à nossa nostalfia sueca. Sim, o brasileiro tem alma sueca. Quer ter cabelo liso, ser lato e louro. Ah, longilíneio também. Não importa que o mundo se curve diante de nossa morenice e de nosso gingado; queremos a cintura dura e a altivez do viking. E tome de escova, alisamento definitivo, plástica no nariz e nos peitos, somo o segundo país em cirurgias plásticas do planeta.
Falando em pesquisa, houve uma que apontou um número espantoso. 98% das meninas cariocas de 22 anos não estavam satisfeitas com seu corpo. E desde João do rio que a carioca de 22 é motivo para largar a família! Pois é, acabou,
E os homens? Oras, o viagra é mais vendido em nossas terras que a aspirina. As propagandas para aumentar o tamanho do pênis são o mais volumosos, perdão, lixos da internet. Parece que aquela pesquisa que aferiu os 15 centímetros médios acabou com nossa auto-imagem. E o viagra tem sido usado por garotos. Inseguros garotos e inseguras garotas que se desnudam em desesperada angústia e inconfessável sofrimento.
Vai ver não é nada disso e estou inventando. Mas uma coisa eu garanto. Podem dizer depois que eu estou com um discurso de miss suéter mas é preciso falar de amor. O desejo pode ser mais do que a vontade de estar com o corpo, ou ser o corpo do anúncio. Pode ser uma coisa pessoal e intransferível que toma todos os nosso sentidos. Não existe ser bom de cama. Existe amar e se entregar. E para isso, uma coisa só é necessária; seja você mesmo.


obs. esse texto fiz para uma colaboracao gratuita com a revista Dropsmagazine. Em breve nas bancas.

  Escrito por Bloco às 17h34
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Lulu



Vocês sabem que eu não sou muito de ir em shows. Eu não gosto. Tem aquela muvuca, aquele sufoco, aquela coisa toda que já foi rotina na minha vida e que não combina mais com a minha idade. É melhor que eu admita logo de cara que a música e eu temos um problema. Ela é ingrata. Talvez eu tenha sido um pouco exigente, sei lá. O fato é que não gosto muito de música. Em geral prefiro me divertir lendo, vendo tv, indo ao cinema e teatro. Música é chato. Adoro algumas coisas e sei que há um bode em virtude de eu ter sido personagem de uma história cômica e um tanto obscura na área. Não sou reconhecido, normalmente. Na maior parte das biografias ou tentativas de refazer a trajetória de minha geração ou não apareço ou sou figurante. Estão fazendo um filme do Cazuza. Aposto que a minha participação na bio dele vai ser mínima, quando foi, por acaso, fundamental.
Desculpe se me prolonguei falando da minha antipatia natural por música em virtude das dores que acumulei ao longo dos anos por inúmeras frustrações na carreira musical. Nos últimos 13 anos gravei um disco. eu teria feito uns 12 e acredito que muita gente se interessasse em ouvi-los. O mercado, as gravadoras e até os colegas sempre me isolam. Não sou convidado para nada e por isso me nomeio VUP. No teatro não é assim, até no mundo das letras, nas redações dos jornais, já tenho algum reconhecimento. Na música, por exemplo, na MTV eu nunca fui citado. Nunca fui convidado para um desses prêmios que eles fazem anualmente.
Falando do meu último disco, o Lulu Santos teve uma participação fundamental. E peço milhões de desculpas por falar tanto de mim no começo desse texto que na verdade quer e deve ser focado no Lulu.
Nos conhecemos há mais de 25 anos. Nunca deixei de gostar dele. Nem por um minuto. Hoje tive oportunidade de dizer isso pessoalmente. Depois do show. E eu adoro os shows do Lulu. Se não gosto de ir em shows, acredito que a razão seja simples e única: não são os shows do lUlu. Os dele eu vou. Em todos, E saio sempre feliz. Há muitos e muitos anos.
Temos uma longa história. já passei o natal na casa dele, com os filhos, enquanto ele e Scarlet viajavam no natal. Já fui para lá cozinhar para a rapaziada. Já trocamos muitas figurinhas, subimos muitas vezes ao palco juntos. A única vez em que fui indicado para um prêmio de melhor cantor perdi para ele o que me deixou muito feliz. Era merecido e eu aplaudi de pé e com toda a sinceridade.
Não sei se dão ao Lulu o crédito que ele merece ter. Ele pontua um monte de momentos felizes da minha vida e da vida de muita gente. Ele faz parte da alegria. E durante o show, hoje, por algum momento trocamos olhares e me emocionei profundamente. Por ver que ainda estávamos ali, de um jeito ou de outro, e que a compreensão das coisas que não precisam ser ditas estava absolutamente possível. Disse a ele que tinha entrado em uma onda muito sentimental e ele disse que tinha percebido e que tinha feito quase o show todo para mim, pensando nisso. Trocamos um forte abraço e deixe-o, junto com Scarlet, para receber o abraço dos outros admiradores. Não precisava dizer mas eu disse. Assim como suas canções já materializaram muitos dos meus sentimentos.
Já não tenho dedos pra contar.


ps - Talvez não precisasse explicar mas estou falando de amizade, admiração e respeito. E amor incondicional,. A ele e toda a sua família.


  Escrito por Bloco às 03h07
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Esqueci de contar...


Todos os dias chegam muitos emails dos fas dos Tribalistas cheios de virus na minha caixa. E eu continuo agradecendo a eles por reconhecerem tanta forca em minhas palavras. E continuo dando cabo dos virus. continue a nadar, continue a nadar...

  Escrito por Bloco às 15h25
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A coluna do Elvis


Enquanto isso, na sala de justica... Os fas dos Tribalistas, em consequencia de minha declaracao publica afirmando nao gostar da cancao Velha infancia ou coisa assim, em virtude de varias silabadas da letra, resolveram me condenar a morte. Sorte minha que nao tenho atravessado ruas quando fas de tribalistas assassinos estao por perto. E proibido nao gostar. e a boiada com odio de quem nao a segue. Estou vivo ainda. Cada dia e um presente. Os inimigos estao no poder, diria Cazuza. eu digo oseguinte: va ler a coluna do elvis. http://www.heroi.com.br/elvis/ler.asp?id=57821 muito boa.
Ou entao, aproveite para ouvir opinioes tambem originais em http://www.zerozen.com.br/tribalistas.htm

Outro critico suicida.

E vivaas silabas tonicas. Nunca pensei que alguem poderia morrer por elas.

  Escrito por Bloco às 15h22
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Curtindo adoidado


Estou com um headphone ouvindo som bem alto na madrugada. São muitas as formas de contar uma estória. A gente pode dar voltas, ilustrar subjetivamente e nunca mais lembrar dessas possibilidades. Pois é, hoje é um daqueles dias em que os dedos seguem sós pelo teclado e eu não faço a menor idéia do que eles querem dizer. E assim fico curtindo a madrugada. Estou ouvindo Dave Mathews band tocando Wild horses com o Mick Jagger cantando.
Recordo uma cena real e absurda. Uma reunião daquelas em que você não conhece quase ninguém e uma senhora tentava me convencer a frequentar o mesmo bar que ela. Ela havia descoberto um bar frequentado por motoqueiros e desde então ia lá diariamente. Indaguei se ela também era uma fã das harleys Davidsons, sabe como é, tentando alongar a conversa. Se ela disse que sim eu poderia dizer que já tive uma e coisa e tal. Mas ela odiava motos. Nunca tinha gostado mas agora estava começando a entender a viagem dos caras. E mesmo assim não pensava em comprar uma moto mas sim em me convocar para o tal bar que ela estava amando. Fiquei indagando o que teria levado essa mulher a adorar aquele bar. E ela seguia dizendo que o som que tocava no bar era ótimo. tocava muito rock. toca Deep Purple, dizia ela, Beatles, Led Zeppelin, aquele da Luciana, Queen. Entendi tudo. Som dos anos 70, 60, rock pesado etc. Mas o que me chamou a atenção foi o jeito descompromissado com que ela disse ¿aquele lá da Luciana¿, fazendo pouco esforço para lembrar o nome já que todo mundo entenderia e saberia de quem se tratava. oras, aquele lá da Luciana. precisa dizer mais?
Fantástico como os pontos de vista pessoais.... peraí que eu vou botar outra música no fone. O silêncio é ensurdecedor. Elvis Costello e Lucinda Williams na mesma música. Agora os instrumentos estão afinados e os cantores também. dá até pra entender a letra. Acho que vou cantar essa música também. Mas eu ia dizendo dos pontos de vista pessoais. Recebi uns emails maravilhosos nestes últimos dias. Alguns até vão estar na página de opiniões. A origem destas mensagens em especial foi o fato de eu ter declarado no programa do Raul Gil que não gostava de uma música dos tribalistas porque ela mudava a sílaba tônica de várias palavras e isso me parecia trabalho mal r />Andr precisando ganhar uma grana.
ah, tem show em Itaquera essa semana. SExta. Vamos ver se o pessoal de Itaquera me recebe tao bem quanto o de BH. O show com o Leoni foi muito legal.


  Escrito por Bloco às 02h10
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O contraponto


Tenho trabalhado muito nos ultimos dias. curiosamente em muitos porjetos nao lucrativos. Nao tenho parado quiesto e tenho dormido muito pouco em razao da excitacao com tanta coisa pra fazer. E amanha ainda vou ficar com meu primo de DJ em uma feijoada na Mulher do padre., uma loja e fabrica de roupas muito legal. Tudo na faixa. E sabe que tenho me sentido bem. Nao que eu goste de trabalhar de graca mas por poder ajudar alguns amigos em coisas importantes. Nao chamo isso de trabalho mas de dar uma ajuda, uma mao, ser solidario. E assim tem sido a semana. Quase nao tenho tido tempo de ler mensagens e focar escrevendo coisas pessoais no computador. Trabalho tem sido meu lema nestes dias. E em breve podem pintar frutos. Tem um trabalho em especial que acho que vai fruticar e virar algo bacana. E tambem tenho feito ums mujsicas, meio que sem objetivo, mas e o ritmo acelerado de criaacao. Hoj eja escrevi muito, Muitas horas. E ainda estou aqui. eu devo estar doido. Quem le? Quem se importa se eu der um tempinho? Bobagem, né? Ainda bem que andei tomando uns paus por email. bom para a gente nao se inflar. E para saber que ha sempre quem arranje um jeito de ver nossas falhas, ate mesmo quando elas nao existem. Ser solidario é obrigacao. Ah, ois acentos sumiram outra vez. Judiacao.

  Escrito por Bloco às 03h15
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Curtindo adoidado


Estou com um headphone ouvindo som bem alto na madrugada. São muitas as formas de contar uma estória. A gente pode dar voltas, ilustrar subjetivamente e nunca mais lembrar dessas possibilidades. Pois é, hoje é um daqueles dias em que os dedos seguem sósacabado. Uma opinião, portanto: eu não gosto. Não disse que eram os artistas medíocres ou coisa assim. Disse que a música tem problemas e isso é nítido, notório, sabido e inegável. É fato. Mas contra mim há o sucesso e a alegria que essa canção desperta em quem a ouve despreocupado com o futuro da língua portuguesa ou com o acabamento de uma letra ou poema. E se o coro canta a gente cantá, a gente dança, a gente volta a ser criança e está feliz quem sou eu para discórdar. Desculpe a brincadeira. Discordar.
E se o amor é acordado no peito de alguns por essa canção, a ira abateu-se sobre mim por manifestar minha exclusão do coro dos contentes. E pelo que percebi os que não gostam de tribalistas merecem a morte. Assim me foi dito. Que eu deveria morrer logo, ou que era um nada e não tinha o direito nem de mencionar o nome daqueles que fizeram a música. alguém disse que eu não deveria falar mal deles, que isso não era uma atitude digna e coisa e tal. ora, o que fazer? Argumentar? Dizer que não falei mal de ninguém mas que não gosto da música? Dizer que é um direito meu gostar ou não de alguma coisa? Claro que não. SE fui condenado à morte por alguns, e fui, devo agradecer aos céus que essas pessoas que curtem tribalistas não andam armadas ou não estavam dirigindo um carro quando eu atravessava a rua.
E assim me senti um eleito. Desgostei de uma música dos tribalistas e ainda não morri. Tudo o que vier é lucro. Peço desculpas aos meus detratores por continuar existindo. Mas já que continuo, vou curtir adoidado. E continuar achando aquela musiquinha muito mal acabada. torcendo para ser execrado por esse pessoal que condena à morte quem gosta de canções diferentes. NArciso acha feio o que não é espelho. E eu fico feliz e agradecido que Narciso tenha me escrito. Que saiba de minha existência. Que perca tempo me enviando mensagens. Que tenha por mim algum sentimento. Agradeço aos céus por isso e pela valiosa lição aprendida. Obrigado a todos os que me desejam mal. aos que me desejam a morte. Aos que me julgam o nada ou a ameba do cocô do bandido que nem aparece no filme, como uma moça muito educada me definiu. Obrigado. do fundo do coração. Ah, e para aquela que disse que se eu morrer logo faço um favor à humanidade por livrar o mundo dessa existência infeliz já que não há alma viva ou morta que se importe com a minha ausência. Não é que vão dar festa se eu morrer amanhã. Ninguém vai reparar. Ninguém. E essa capacidade de sentir-se dono do mundo me faz crer que estou falando com Deus. E diante dessa radiante epifania só devo curvar-me e varado de luz e devoção dizer: amém.

  Escrito por Bloco às 03h08
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Não sei como ou porquê mas os acentos começaram a funcionar no meu bloco!!!!!

  Escrito por Bloco às 03h14
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Teve bom

O show do Leoni foi excelente. cantei umas 6. Era 4 no inicio do papo. Mas o povo tava muito bom, curtindo, cantando e a gente se divertiu muito. gosto muito de cantar. Principalmente quando só faço isso e não preciso ser produtor, tocar violão etc. Cantar é gostoso. E a profissão não precisa atrapalhar, né?
Uma coisa que pensei, e muita gente vai chiar comigo por dizer isso, é que o Rio é o túmulo do rock. Impressionante como tem lugar bacana pra tocar ao vivo em S. Paulo, BH, Curitiba etc. só no Rio é que não tem esses bares assim, pra quem tá começando ou para quem tem shows pequenos, intimistas. E olha que quando nós começamos o Rio era o lugar. Agora tá difícil pra quem começa. Tocar aonde? em lugares caros? Não vai ninguém! Bares transados e acessíveis são fundamentais para a renovação do elenco. E é por isso que não pintam mais tantos artistas do mundo pop rock no Rio. Acabem com os campos de pelada e vamos ver se aparecem craques.
Nada contra a cidade mas contra o rumo que políticos deram a ela. E o babaca fechou o Circo Voador. E abriu o que no lugar?

  Escrito por Bloco às 03h14
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Foto bacana

Um minuto antes, ou dois.
dia 8/8/69.
abbey1[1].jpeg

  Escrito por Bloco às 03h07
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Canja em BH


Daqui a pouco vou dar uma canja no show do Leoni. Convite bom: venho para BH, que eu adoro, e canto uma música no show do meu afilhado. Sem muitas preocupações pude até tirar um tempinho para responder as mensagens que vão se acumulando devido a minha falta de tempo total nos útlimos dias.
Hoje amanheci no HC, hospital das clínicas de São Paulo. Cheguei ontem em casa e só deu tempo de tomar um banho e estava correndo para lá. Dormi com um monte de fios pregados no corpo e na cabeça. Uma coisinha estranha estava presa no meu indicador direito. Uma luz vermelha. Meu dedo dentro dessa luz presa por esparadrapos. Era para meidr a oxigenação do sangue. E teve horas em que ficou muito baixa. Daí a falta de memória e o cansaço durante o dia. O Fabio, o rapaz que fez a polissonografia, ficou meio assustado em alguns momentos durante a madrugada. Eu parava de respirar e demorava muito para voltar. ele ficava achando que eu tinha parado de respirar para sempre e queria ir lá me chacoalhar ou acionar os paramédicos ou seja lá o que for. Deve ser chato mesmo para quem está vendo. E isso faz parte do problema de saúde que tenho, e que me faz engordar.
Do mesmo jeito que expliquei em um post, dias atrás, o porquê de não sairem discos, acho que vou fazer um explicando a razão de engordar.
Será que vale a pena?

  Escrito por Bloco às 17h29
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Acordei no meio da noite


Sem querer. Tava dormindo com o controle remoto no peito. Sem querer. Acordei. fiquei pensando no que havia de errado pois o penúltimo segundo não se conectava no último. E segui pensando coisas assim descontinuadas. Não gosto dessa moda de mascar chicletes de boca aberta. Faz muito barulho e esse barulho me irrita pra caramba. E no entanto eu nunca falo nada porque sei que o pessoal que masca chicletes de boca aberta faz isso com um fôlego de liberdade e rebeldia que dá dó de repreender. É como se fosse um grito de liberdade: pronto, eu mastigo de boca aberta e fazendo barulho!!! Eu me expresso livremente!!!! Eu sou desreprimido!!!! Sei lá se é isso, afinal eu nunca gostei de mastigar de boca aberta fazendo barulho e sou, evidentemente, um reprimido no assunto. Mas eu não gosto mesmo e adoraria não me importar pois o chiclete desse pessoal dura horas.
A moda do charuto é a sequência natural da moda anterior. O cara fica mais velho e fuma charuto de braço aberto. O charuto é um signo mais manjado. Às vezes um charuto é só um charuto, já diria o velho Freud, mas nos desenhos animados era a marca do milionário muquirana. E fumar charuto, para o brazuca, veio acompanhado de um gesto: abrir os braços. E de uma outra marca: falar muito alto. O cara acende o charuto, abre os dois braços para ficar gigante e começa a falar assim. Alto e com os braços bem abertos. Já reparou que baianos em geral falam gesticulando não com as mãos à frente do corpo, como a maioria das pessoas, mas com as mãos acima da cabeça, fazendo gestos gigantescos? É um dado antropológico muito evidente: todo baiano é uma atração turística. Aliás, é guia turístico de si mesmo. Baianos não nascem, estreiam, ensinou-me um baiano quando da minha terceira vez em Salvador. Ô lugarzinho bom. Compreensível que as paulistanas gostem de ir dar lá. E é impressionante o tanto que as paulistanas dão quando vão para lá ou para Porto Seguro. Tomara que elas comecem a dar assim em São Paulo também. A cidade vai ficar muito mais relaxada, muito menos tensa e engarrafada. O prazer não deveria ficar restrito às férias. Mas dar longe de casa é bom porque não dá aquela fama de galinha. E injustamente a fama de galinha é ruim. Deveria ser boa. Quem dá muito é porque gosta da coisa e isso não é defeito. É claro que dar muito sem saber para quem é falta de senso de noção, como diz um amigo. Tem que ter um critério, um gosto, uma vontade. Se não é banalização e isso é triste.
Hoje passei horas na faculdade resolvendo as coisas para tirar o meu diploma. Falta entregar um trabalho para pegar o diploma e agora acertei tudo. Tive que fazer matrícula e achei aquilo ótimo. Vou ter carteira de estudante por mais um semestre. E pegar o diploma para esfregar na cara de todo chato que implicar com minhas atuações jornalísticas. Como tem chato nesse mundo!
Fiquei muito contente com o rendimento do Brasil no panamericano. Adoro esportes olímpicos e fiquei pensando que se tivesse a grana do Ronaldinho eu patrocinaria toda a equipe de ginástica olímpica do Brasil na próxima olimpíada. São geniais os nossos atletas. Fiquei muitas tardes no Flamengo vendo Daniele HIpólito e Diego treinando. Sempre acreditei neles, antes mesmo de chegarem as medalhas importantes. Se duvidar, pergunte a eles. Sempre apostei e adoraria poder investir.
Terça é dia de polissonografia. Vou dormir no Hospital das Clínicas. Cheio de fios ligados ao corpo. Experiências médicas para avaliar a qualidade do sono que, no meu caso, é péssima.
NEsta quarta vou estar em Belo Horizonte. Vou dar uma canja no show do amigo e compadre Leoni. E ver amigos. Adoro aquela terra. Queria muito ter tempo para bater papo com todos os amigos, em especial as moças Matta Machado, velhas amigas, e Cadim, que é o marido de uma delas. E vou poder ver alguns outros amigos, gente com quem gosto de tocar, de papear, e até gente que conheço só de email. BH, terra boa.
È pensando assim, descontinuadamente, acabei por ficar com sono outra vez. Zonzo de tanto tentar acompanhar o pensamento. Cansei.


  Escrito por Bloco às 06h09
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Tarde da noite no Rio maravilha.

Que dia excelente vai se despedindo de mim. Não fiz nada de mais. Estou na casa de amigos e hoje teve uma comemoração de aniversário de uma pessoa querida. Na verdade eram duas comemorações, ontem e hoje, de dois aniversários e os dois foram divertidos e tocantes. Vi muitos amigos queridos que há tempos não encontrava. Ri, conversei, dancei, comi e por aí vai. Amanheci hoje comendo acarajés feitos por baianas da melhor categoria. com champanhe, melhor frisar. Será que existe melhor café da manhã?
A casa fica no alto e ao longe a paisagem se deita. A orla, as pedras, a mata. O Rio lindo daqui do lado da casa de Tom Jobim, embaixo do sovaco do Cristo. E tudo lindo nesse sábado que vivi como se domingo fosse.
Vi o volei no Pan. Vi o futebol. Vi o Popó em uma de suas piores e mais emocionantes lutas. Quase que o argentino bota nosso herói para dormir. Não sei não, acho que argentinos sempre crescem quando vão enfrentar brasileiros. E é emocionante.
Ando pensando muito na vida e nas escolhas. Em como lidar com as coisas. Por exemplo: cantar. Gosto de cantar. Adoro convites para cantar e tenho muita facilidade com a coisa. No entanto cheguei à conclusão que gosto de cantar mas sou péssimo para lidar com tudo o que se relaciona a cantar, ou seja, para negociar a coisa. Daqui pra frente quero ma da cabeça, fazendo gestos gigantescos? É um dado antropológico muito evidente: todo baiano é uma atração turística. Aliás, é guia turístico de si mesmo. Baianos não nascem, estreiam, ensinou-me um baiano quando da minha terceira vez em Salvador. Ô lugarzinho bom. Compreensível que as paulistanas gostem de ir dar lá. E é impressionante o tanto que as paulistanas dão quando vão para lá ou para Porto Seguro. Tomara que elas comecem a dar assim em São Paulo também. A cidade vai ficar muito mais relaxada, muito menos tensa e engarrafada. O prazer não deveria ficar restrito às férias. Mas dar longe de cacantar quando for convidado mas não ficar bancando o produtor, empresário, agente etc. Se chamarem eu canto. E com muito prazer. E serei só cantor. Não sou bom negociante da coisa e fico incomodado em ter que negociar. Andam pintando umas idéias e eu nem descarto e nem me empolgo. E assim acho que nem me empolgo demais com o que ainda não é real e nem, por outro lado, me meto em fazer o que não me agrada e não faço bem.
Muitos trabalhos estão pintando. Algo me diz que mudanças virão. Surpresas. Nem sei como ou porquê. Minha vida é cheia de mudanças assim meio que repentinas. E como sei bem o que quero acho que vai ser uma coisa sonhada e necessária que é estabilidade. Com emoção, lógico.
Curioso que minha geração tenha passado a maior parte da vida sem poder fazer planos. Agora os faço. Antes não dava: a realidade, o dinheiro, as leis, tudo enfim era provisório e muito instável. Agora acho que o país anda mais organizado e dá pra fazer planos. Que eles sejam realizados é outro papo. Mas é para isso que estamos vivos, né? Eu não vim ao mundo a passeio.
Ando querendo falar pouco. Não dar a cara a tapa. Esperar as coisas acontecerem para comentar depois. E o dia de hoje é um exemplo. Nada demais. A vitória de um dia. vivi um dia feliz e cheio de emoções, ao lado de pessoas queridas. E isso é especial, ainda que tudo tenha sido até certo ponto corriqueiro. Encontrar a felicidade em coisas comuns e cotidianas é muito bom. É assim que a gente vai vivendo feliz: fazendo cada dia ser o melhor que ele pode. E o sonho, a meta, continua lá. E só sonho com o amor, de mil formas, é óbvio, mas o amor e o riso, a graça são meu sonho e meu caminho. E isso é muito bom. Mesmo quando estou deprimido posso dizer orgulhoso: estou deprimido mas sou feliz. E durma-se com um barulho desses.

  Escrito por Bloco às 03h43
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O que tem passado na janela


Tenho andado muito interessado em ver coisas. Assistir, ler, ouvir. E assim tenho me divertido. Falta comentar as coisas, eu sei. E aos poucos vou retomando o gosto por expressar, por levantar assuntos e opiniões. De tanto em tanto é bom fechar a boca ou parar os dedos. Para se nutrir ou descansar, não sei. Mas todos fazem isso e eu também.
Vi as duas coletâneas de Sex and the city e espanta-me que só sejam 12 ou 18 episódios por temporada. Os seriados costumam ser de 24, ou seja, metade do ano pra fazer e a outra para exibir.
Tenho gostado. É divertido porque o assunto é divertido. A que eu mais gosto é a Samantha, evidente. A menos complicada e que mais se diverte. A Carrie é chata mas é bem humorada. Sempre está querendo o que não está ao alcance e nunca está satisfeita com nada do que tem ou conseguiu. Miranda é nervosa, mas é também divertida. só precisa achar um cara que mande nela, que lhe dê uns trancos senão ela fica mandona e amarga. Advogada, sabe como é, profissional de ganhar discussão. Mas é esforçada. A Charlotte é chata pra caralho e não goza. Só pensa em dinheiro e em babaquices consumistas além de ser republicana. Não sei como é que as outras a suportam. além de tudo é burra como uma porta.
vi o show da Marília Pêra e não acredito que seja possível fazer uma outra homenagem a Ari Barroso mais tocante e brilhante. É um lindo e impecável espetáculo. Arranjos, cenário, luz, figurino, tudo maravilhoso e as musicistas excelentes. Marília canta muito e interpreta melhor ainda. Diante de tanta perfeição o que salta aos olhos é o trabalho de corpo daquela que é a melhor intérprete desse país. Uma aula. Tudo minimalista e absolutamente sedutor. Nuances. E toda a emoção das canções tomam vida. Há algo de David Bowie, há algo de Elza Soares e sobretudo há muito de Ari Barroso. é lindo demais. Não perca, não perca, não perca.
ir ao espetáculo na estréia foi ótimo. Detesto estréias e camarins mas dessa vez me senti em casa. foi por causa desse pessoal que me mudei para São Paulo. Selma, Célia, Jorge, Marília, Dani, Miguel Briamonte, todos. Eles abriram as portas de São Paulo para mim e hoje me sinto absolutamente adaptado. confesso que fico contente quando vou ao Rio mas principalmente por causa dos amigos que tenho lá. A cidade não é mais a minha. Não sinto mais assim. É muito estranho e algo desagradável. Tanto tempo de minha vida no Rio e eu amo aquela cidade pois ela se mistura com minha história. Mas não moro mais lá. E nada como o nosso lar. É fato que fiz o primário e o ginásio, isso nem existe mais, em São Paulo. Minha identidade é de São Paulo e sempre mantive contato afinal parte de minha família vive aqui. E a parte com a qual mantive mais contato já que Goiânia, apesar de adorar quando vou, é muito mais raro e longínquo, até porque o pessoal de lá não curte muito minhas coisas. Santos e Manaus, ou Belo HOrizonte, por exemplo, convidaram-me 70 vezes mais que Goiânia para visitas e trabalhos. Mesmo assim vou lá e curto muito minhas idas. Mas agora é outro momento, outra temporada, outro projeto e fico muito saudoso de São Paulo, e dos amigos daqui, quando tenho que viajar.

Fui ao cinema ver um monte de filmes. Fora os que vi no DVD. E estou lendo um livro ótimo: O demônio do meio-dia. Excelente. Sobre depressão mas não um livro de um médico e sim de um escritor que esteve lidando com a própria depressão e escrevendo sobre ela. Um relato apaixonante e muito elucidativo. E está me fazendo muito bem.

Andaram pintando propostas novas e meu sonho parece próximo, o de ter estabilidade. Até convite para fazer um disco do jeito que eu gosto tem rolado. Não acredito em nenhum projeto de disco enquanto não ver o cd na prateleira da loja. Depois de tantos anos tomando tombo o mínimo que posso ter desenvolvido é um certo pudor quanto à divulgação daquilo que ainda não existe. Projeto é projeto e todo mundo tem um monte. Vamos ver o que se torna realidade. Mas que tem muita coisa boa sendo negociada isso é verdade. Acredito que alguma dessas coisa vá vingar. E se isso acontecer posso dar um passo a frente rumo às metas que tenho, metas simples, pessoais e amorosas.
Não conto, óbvio. Não é bom contar. Mas peço para os que gostem de mim rezar, torcer, ou mesmo dar um sorriso em minha intenção pois as mudanças estão ocorrendo.
Quê mais?
Ah, estou no Rio mas preferi escrever como se estivesse em Sampa. vi muitos amigos hoje numa festa e foi ótimo.
Semana que vem vou ver a peça nova do Juca de Oliveira. Dizem que é muito boa. E quero ver um monte de filmes além de terminar os livros que estou lendo.
Baixei várias músicas na rede e algumas delas em várias versões. Almost Blue do Elvis Costello e Wild Horses dos Stones são um exemplo. Lindas. Adoraria cantá-las. Mas será que alguém gostaria de ouvir? Acho que estou virando um músico amador. E talvez seja bom. Acho que sim. Só por prazer. Aliás, a vida toda. Só por prazer, Tem que ser bom.

  Escrito por Bloco às 03h33
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Dia dos pais


Esse foi um textinho que fiz para o Eduardo Martini encenar no E show da Adriane Galisteu. fio ao ar hoje. Nao do jeito que foi escrito ate porque o tempo era curto e ele ja tinha outras partes escritas. Mas como o dia dos pais esta chegando e e bom a gente comecar a pensar no assunto, fica ai umas ideias sobre o tema.

pai, meu chato favorito


A primeira vez que eu me dei conta da existência dele foi quando eu ainda estava na barriga da minha mãe. Isso porque eu tava lá dormindo, boiando, na boa, quando um babaca começava a berrar na minha orelha as coisas mais estúpidas do mundo: dábibudodibodi, uma língua estranha e um tanto primitiva. quando eu nasci é que me dei conta de que aquele era o mesmo pentelho que ficava me dando cascudos todos aqueles meses! (faz o gesto do cascudo) era aquela coisa desagradável, insistente, coisa de chato mesmo. Sabe esses chatos que tem mania de ficar cutucando as pessoas. pois é, meu pai é desses.
Como já nasci de bronca daquele mala do idioma primitivo, na primeira chance que tive dei uma mijada na cara dele. O palhaço ainda achou graça. E daí pra frente eu ficava sempre calculando para soltar as minhas obras sempre quando estava no braço dele ou ele estava tomando conta de mim. Só pra ver as caretas que ele fazia. Às vezes eu fazia só metade das obras esperava ele trocar minha fralda e aí eu fazia o resto e caia na gargalhada. E o palhaço lá , com a mão na massa outra vez. Confesso que apesar de ser chato ele podia ser bastante divertido.
Já mais crescidinho eu continuava aprontando com ele. Eu não suportava a mania que ele tinha de pedir para eu mostrar o pinto para os amigos. Era aquela coisa estúpida: você é homem mesmo, então mostra os documentos. E lá ia eu, com o pinto de fora para um Brasil de audiência. Um saco. Só por causa disso eu, sempre que saia com ele de carro, ficava lendo tudo quanto é placa, nome de loja, de rua, tudo mesmo em voz alta. Bem alta. Até ele ficar maluquinho, o que era muito engraçado. E quando ele me levava ao estádio para ver o futebol, sempre na hora mais emocionante eu pedia para ele me levar ao banheiro. Cara, ele ficava roxo de raiva mas levava. Uma vez a gente foi numa decisão e o estádio estava lotado, não dava pra andar, e eu fiz ele me levar no banheiro quatro vezes, ai quando chegava lá eu dizia que a vontade tinha passado. Ele não viu nenhum dos gols da partida!!!
E quando a gente viajava de carro? Eu ia vigiando o relógio para a cada cinco minutos perguntar para ele ¿pai, tamo chegando? tô com frio, tô com sede, tô com sono, tô com fome e quero fazer xixi¿.
Daí ele me botou para aprender violão. Na primeira aula eu aprendi a fazer um cai-cai balão muito tosco mesmo. E não é que ele chamou todos os amigos para almoçar em casa só para eu dar um concerto? Era eu lá olhando para o teto, num olhar perdido, interpretando o cai-cai-balão mais angustiado do planeta, ele com cara de tacho e os amigos todos com um riso amarelo. Era muito mico. Aliás ele é o rei do mico. Uma vez eu estava numa pelada no Ibirapuera e ele assistindo. Na hora em que a bola saiu ele entrou em campo gritando: ¿por que você não passa a bola do meu filho? E você, por que não passa a bola para o meu filho??¿. E eu: ¿Pai, vai embora, eu sou o juiz!!!!¿. Ele me mata de vergonha. O homem sem senso de noção!!!
Adolescente eu cai na besteira de me abrir quando ele perguntou se já tinha uma namorada. Eu disse que já tinha uma em vista, a Juliana. Daí ele começou a dizer que eu tinha que puxar a cadeira para ela quando fosse sentar no restaurante, que tinha que abrir a porta do carro para ela e coisa e tal. Eu logo disse: pai, se toca, se eu levar a mina num restaurante vai ser no macdonald¿s e no ônibus que eu ando a porta abre sozinha!!! Daí ele fo ime buscar numa festinha e foi o primeiro dia em que eu dei papo para a Juliana e até ofereci carona pra ela. Na hora em que eu apresentei a menina pro meu velho ele foi logo entregando: Ah, então essa é a famosa Juliana que você fala há meses!!¿. E eu que tinha ficado meses fingindo que ignorava a garota fiquei com vontade de desaparecer. A sorte é que a menina tava mesmo a fim de mim porque mesmo ele falando essas besteira ela acabou me dando o primeiro e inesquecível beijo nessa noite mesmo, rapidinho, ali no banco de trás, para o velho não sacar. É claro que se ele visse ia querer tirar foto, fazer discurso.
Meu pai foi sempre essa figura meio patética. Ele não foi em muitos eventos importantes da minha vida, nos jogos em que eu jogava muito bem ou nas peças de teatro em que eu fazia papel de árvore ou sentinela, que é mais ou menos a mesma coisa só muda a roupa, ele nunca estava. Ou quase nunca. E é por isso que eu acho o meu pai o maior chato do mundo.
porque hoje, adulto, eu percebo que ele estava, o tempo todo, se esforçando para fazer a felicidade de todos nós lá em casa. SE ele não podia estar presente era por estar trabalhando para a gente poder ter nossos sonhos, nossos planos. E nós éramos, o tempo todo, o sonho e o plano dele. Por isso ele sempre foi bobo. Porque os apaixonados são mesmo bobos. E o meu pai sempre foi desses, de declarar seu amor em cada gesto, todos os dias. Embora ele fosse ruim ou econômico nas palavras - ele sempre chorava no natal quando pediam para ele dizer alguma coisa - nas atitudes ele sempre foi como o ar que respiramos. Às vezes a gente não notava, mas se ele faltasse.... melhor nem pensar.
Pai, você é um chato. Nunca vou conseguir ser melhor você. E vou me esforçar para ser para os meus filhos o mesmo que você foi para mim. Uma certeza. Um herói. Um abrigo. Pai, eu nunca tive a chance de te agradecer. E você , eu sei, nunca esperou por isso. Acho que eu só preciso dizer uma coisa. só uma coisa. Eu te amo.

  Escrito por Bloco às 04h41
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Cinema bom

Fui ver um filme brasileiro, Lisbela e o prisioneiro, e o filme era bom e alto astral. Engracado e inteligente. Não era sobre bandido, cadeia, miseria. Abaixo o cinema urubu. O Brasil e um pais bem humorado e inteligente. Que assim seja fotografado.

  Escrito por Bloco às 01h32
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Wild horses


Ontem fiquei ouvindo essa canção. Baixei da rede várias versões, cada uma mais bonita que a outra. Não teria como saber, não fosse essa coisa do mp3, de tantas versões, inclusive algumas ao vivo que parecem bootlegs. Impressionante como a arte e a emoção também estão mais acessíveis com esse recurso. É a melhor forma de divulgar arte e música em especial. Melhor que rádio.
Lembrei de uma outra música com o mesmo nome, ou seja, há uma antiga dos Stones e outra do Prefab Sprout igualmente linda mas um pouco mais divertida. Fala da paixão de um cara mais velho por uma jovem de Pony-tail, rabo de cavalo, ou como diz a letra ¿ä wolf with an eye for the poneys¿.
Wild horses também é o nome, ou parte do nome de um livro do Bukowski, os dias fogem como cavalos selvagens descendo a colina. E quem já viu um filme de faroeste em que cavalos selvagens descem a colina sabe o que isso quer dizer: para preservar a liberdade eles descem qualquer ladeira acelerando, mesmo que isso signifique morrer de um tombo ou estourar o coração. Mesmo que seja uma piramba de 90 graus eles aceleram, e metem a cara como se não houvesse amanhã. em busca da liberdade ou fugindo do jugo, do arreio, do antolho, do bridão.
Cavalos selvagens. Um dia a gente acaba por montá-los.

  Escrito por Bloco às 01h30
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para onde???


Quando descobri o amor tambem aprendi que ele acaba. Depois aprendi que amor nao acaba. E quando as pessoas se vao, o amor onde fica? Essa a uma duvida que sozinho nao consegui solucionar. A melhor indagacao ou afirmacao a respeito esta numa letra do chico.

Futuros amantes
Chico Buarque
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Sor isso que eu acho o meu pai o maior chato do mundo.
porque hoje, adulto, eu percebo que ele estava, o tempo todo, se esforçando para fazer a felicidade de todos nós lá em casa. SE ele não podia estar presente era por estar trabalhando para a gente poder ter nossos sonhos, nossos planos. E nós éramos, o tempo todo,e amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você


  Escrito por Bloco às 20h40
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Dica pra comprar azeite


Procure os que dizem no rotulo primeira prensa a frio e que tenham acidez menor ou igual a 0,5. Outra dica boa e ver se ele esta mais para o verde que para o amarelo. E preco alto nao quer dizer que e bom. Um caro pode nao estar nestas condicoes que mencionei.


  Escrito por Bloco às 20h17
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Bacalhau do Leo

Ingredientes:

i KG de Bacalhau seco, do porto, de preferência o lombo.
1 KG de cebola
1 KG de batata
1 Alho poró
250 ml de azeite extra virgem.
I cabeça de alho
um punhado de azeitonas sem caroço. Verde ou preta, tanto faz.
e mais salsa, páprica picante, vinagre branco, pimenta do reino e branca.


Prepare os ingredientes.
Ferva um caldeirão de água e apague. Ponha o bacalhau, que já ficou pelo menos doze horas dessalgando em água corrente. Aqui vai uma dica: coloque um pano pendido na torneira de modo a fazer com que um filete de água da torneira escorra pelo pano e caia na bacia onde o bacalhau está imerso. Assim você não enlouquece com o barulho. voltando ao preparativo do bacalhau. Ele não será fervido mas sim imerso em uma água fervendo e permanecerá lá até que você possa pegar o bacalhau com a mão sem queimar. Isso faz com que o bacalhau mantenha o sabor e facilitará o desfiamento. Para desfiar é bom que fazer com a mão a retirada das espinhas e pele. Deixe os pedaços grandes senão na hora em que cozinhar vai sumir tudo. vá tirando os nacos do bacalhau e separando.
Passe a cebola, cortada em pedaços médios, no liquidificador com um pouco de vinagre e bata até virar uma polpa.
Corte o alho poró em fatias bem finas.
Corte a batata no sentido da batata portuguesa, ou seja, para fazer fatias grandes e todas com cerca de meio centímetro de grossura. É importante cortar do mesmo tamanho senão na hora de servir tem batata crua no meio de purê de batata e fica uma merda.
Abra a cabeça do alho e descasque os dentes mantendo-os inteiros e corte-os, cada um, em três pedaços, ao comprido, de modo que não sumam no cozimento. Pique a salsa e tudo pronto para botar no fogo.


Cozimento:
Azeite cobrindo todo o fundo da panela, jogue o alho e deixe começar a dourar, acrescente o alho poró e deixe dar uma refogada boa antes de juntar o bacalhau. Daí em diante é uma camada de bacalhau e uma de batata, em cima das duas camadas vai a cebola, salsa, pimenta do reino, vinagre, páprica picante ( eu nào tinha mencionado, né?) e a pimenta branca. Outra camada de bacalhau, outra de batata e mais uma cobertura da mistureba acima. Depois que tudo estiver na panela junte o resto do azeite. Deixe cozinhando com fogo alto e a panela meio tampada e vá prestando atenção para dar umas mexidas suaves de vez em quando, a fim de que a cebola que está em cima se misture com o molho que se forma em baixo. Depois de um tempo comece a sacar as batatas. Não podem amolecer muito mas precisam ficar cozidas. Mais pro consistente que pro mole, sabe como é? É que isso tudo vai ao forno depois.
Antes de ir ao forno acrescente a azeitona. Cubra com molho branco, sem economia, e espalhe um pouco de parmesão ralado se quiser. Ajuda a indicar quando está gratinado e dá um gostinho mas não é fundamental.
Deixe no forno quente coberto com alumínio no começo, uns 15 minutos, e depois deixe gratinando. Até você ver que o caldo está borbulhando. prefira uma travessa de vidro.
Sirva com arroz ou salada. Deve render para umas 8 pessoas se tiver muito homem ou dez se tiver muita mulher.



  Escrito por Bloco às 20h15
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Ausência
Carlos Drumond de Andrade

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.





  Escrito por Bloco às 13h49
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